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Depressão é doença, precisamos falar – Minha experiência

Essa semana eu reativei o instagram do blog (@bemmequeroblog) e fiz um post contado que um dos motivos do meu sumiço foi a depressão! Depois disso recebi mensagens e relatos de pessoas que também estão passando ou conseguiram superar essa doença e uma coisa me chamou atenção: apesar desse assunto ser bastante comentado – É considerada a doença do século XXI, a maioria das pessoas não se sentem à vontade em falar sobre isso com pessoas próximas. E eu me incluo nesse grupo!

O medo ou vergonha do julgamento, do olhar torto ou de dó das outras pessoas, de se sentir vulnerável, faz com que o doente escolha passar por isso sozinho. Algumas pessoas até conseguem vencer essa doença sem ajuda, mas segundo pesquisas e experiência própria, não é a melhor solução! Pelo contrário, falando de mim, as vezes em que eu preferi ficar quieta e não contar com ninguém, eu me afundei cada vez mais!

Superar esse medo ou vergonha e buscar ajuda é o segundo passo para quem quer superar esse quadro. O primeiro, acredito que seja reconhecer que a Depressão é sim uma doença! O medo do julgamento muitas vezes surge porque a própria pessoa não tem consciência que está doente.

Comigo foi assim:

Eu achava que eu era muito desanimada, não conseguia me entusiasmar ou me divertir com mais nada, ou que eu era sedentária mesmo e ponto, passei a questionar se eu não era inteligente o suficiente para ter uma profissão que me deixasse satisfeita, ou que só fazia escolhas erradas na vida. Foi através de uma conversa com um amigo que comecei a entender que todo esse pessimismo, desânimo e baixa autoestima era Depressão. A partir daí deveria ser fácil, né? Vou ao psicólogo ou no psiquiatra, pego a receita de remédios, tomo e estarei curada. Não!

Eu não queria aceitar que estava com depressão: Como eu ia falar isso para a minha família? Vão falar que isso é frescura, preguiça, “falta do que fazer” (como já ouvi uma vez). E enquanto a depressão só afetava os meus pensamentos e um pouco com o meu cuidado com a aparência, fui levando.

Mas quando começou a me causar cansaço físico é que dei o primeiro passo para me tratar. Eu passei a ter dificuldades para dormir, e garanto, não era “falta do que fazer”… Eu trabalhava de segunda a sábado, ia para faculdade a noite, vários trabalhos acadêmicos para fazer, estava esgotada, muito cansada mesmo, mas o cérebro não desligava, deitava na cama e não conseguia dormir! Aí no outro dia, ia trabalhar com sono, não rendia, não conseguia me concentrar, e a noite a insônia se repetia.

Bom, vou ao médico pegar receita de remédio para dormir. Marquei consulta com o clínico geral. O que eu não sabia era que só psiquiatras poderiam receitar esse tipo de medicamento. Psiquiatra? Pronto, agora que eu vou mesmo obter o meu “atestado de loucura”. Fui, e na primeira consulta com o psiquiatra saí de lá com a receita do remédio, encaminhamento para terapia com psicólogo e um atestado de afastamento do trabalho com CID 10 F32. Nem preciso dizer que eu nem queria entregar o tal atestado para a empresa, outra vez o medo do julgamento ou até demissão!

E aqui é o ponto onde eu queria chegar:

A depressão é classificada como uma doença pela OMS (Organização Mundial da saúde) através do CID-10 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde) F32 que diz:

  • CID-10 F32 Episódios Depressivos

Nos episódios típicos de cada um dos três graus de depressão: leve, moderado ou grave, o paciente apresenta um rebaixamento do humor, redução da energia e diminuição da atividade. Existe alteração da capacidade de experimentar o prazer, perda de interesse, diminuição da capacidade de concentração, associadas em geral à fadiga importante, mesmo após um esforço mínimo. Observam-se em geral problemas do sono e diminuição do apetite. Existe quase sempre uma diminuição da auto-estima e da autoconfiança e frequentemente idéias de culpabilidade e ou de indignidade, mesmo nas formas leves. O humor depressivo varia pouco de dia para dia ou segundo as circunstâncias e pode se acompanhar de sintomas ditos “somáticos”, por exemplo perda de interesse ou prazer, despertar matinal precoce, várias horas antes da hora habitual de despertar, agravamento matinal da depressão, lentidão psicomotora importante, agitação, perda de apetite, perda de peso e perda da libido. O número e a gravidade dos sintomas permitem determinar três graus de um episódio depressivo: leve, moderado e grave.

(Fonte: http://www.datasus.gov.br/cid10/V2008/WebHelp/f30_f39.htm)

 

Dos 12 sintomas apresentados nesse trecho, eu me identifiquei em 11. Antes mesmo do medo do julgamento das pessoas, eu mesma estava me pré-julgando e não aceitando a depressão como doença!

Se você está passando por isso, reconheça para si mesmo, encare que está doente e precisa ser tratado! Depois busque ajuda, fale para alguém próximo de você, não tenha medo do julgamento, mas se mesmo assim alguém realmente te julgar, mostre isso a ele, olha aí o reconhecimento pela OMS!

A depressão é uma doença incapacitante, e pode levar até ao suicídio. Por diversas vezes eu tive vontade de não existir mais, nunca cheguei ao ponto de atentar contra minha vida, mas infelizmente muitas pessoas acabam se suicidando. E pegando um gancho nesse assunto, estamos no Setembro Amarelo e podemos ver diversas campanhas de prevenção ao suicídio. Se você está passando por um episódio de depressão agora, FALE! Não guarde para si, busque ajuda! Se quiser conversar estou à disposição, me encontre nas redes sociais ou nos comentários aqui do post mesmo, os comentários são privados, só eu consigo ler antes da aprovação!

Vou encerrar o post porque já ficou muito longo, farei uma continuação quando for necessário.

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